quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Breu


A Lua nada mais era que um mero apetrecho dado ao céu noturno no intuito de fazê-lo singular aos demais. Não reluzia, não adornava, não prestava a qualquer uso que pretendessem dá-la. A grama fina dançava no ritmo ordenado pela brisa gélida que corria a paisagem. O todo parecia dormir em paz absoluta e inabalável, a não ser por um vulto que se aproximava no horizonte. O passo estável amassava a grama sob seus pés e rompia o ciclo aparentemente infinito entre brisa e grama. Não que se importasse com o fato, era inconsciente. Seus olhos negros fixavam-se num ponto morto distante. Não morto, pois logo que tivera certeza da percepção do outro, tratara de correr. O silêncio ainda seria absoluto, não fosse pela respiração ofegante do que corria. Estava visivelmente tomado pelo pânico. O perseguidor mostrou seu canino em um meio sorriso ambicioso. Levou a mão à cintura e tirou um punhal não muito grande da cinta. Parou, recuou e lançou-o contra o que corria. Ferido, caiu. Queria levantar, mas uma força maior atuava sobre ele. O que perseguia estava próximo. Implorou enquanto o outro apenas sorria daquela forma aterrorizante. Sacou uma espada. Parecia leve, por um mistério ou outro. O pânico, a clemência, eram visíveis nos olhos do que estava caído ao chão. Era preciso de mais para comover o outro. Pateticamente, olhou-o como um animal em seu leito de morte e ergueu a espada que refletiu a luz opaca da Lua fantasma.

Um comentário:

Evve Corrêa disse...

TE AMO MÃE, SAUDADES ♥