(Ultimamente, tudo está perdido. Desconexo, sem sentido... Espero algum dia poder mudar e entender minha incapacidade perante os fatos - todos.)
Antônio Antônimo,
Avesso a algos, alguéns... Alguns.
Anti-capitalista, anti-esteticista, anti-televisivo, anti-adesivo: anti-eu.
Escrevo sem propósito. Como alguém que, sem querer, rabisca uma folha de papel enquanto fala ao telefone.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Perdidos e desconexos
O desfile começou e esqueci de me vestir.
Pelada, assisti: também esqueci de aplaudir.
O ser humano pode ser morfologicamente definido. Entretanto, devemos considerar a sintaxe.
Tudo é eterno até acabar.
O problema do Carpe Diem é que, depois do dia, vem a noite.
Meus versos são tingidos.
Eu não vivia até começar a pensar: é uma pena ter morrido assim que comecei.
Pelada, assisti: também esqueci de aplaudir.
O ser humano pode ser morfologicamente definido. Entretanto, devemos considerar a sintaxe.
Tudo é eterno até acabar.
O problema do Carpe Diem é que, depois do dia, vem a noite.
Meus versos são tingidos.
Eu não vivia até começar a pensar: é uma pena ter morrido assim que comecei.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
O amor do português
Seu Manoel era um homenzinho meia-idade; enérgico e disposto. Todos os dias acordava às seis, esperava passar o caminhão das verduras e abria o mercadinho às oito.
O mercadinho... Inaugurara seu próprio negócio quando ainda era casado com Isabel - um casamento feliz e sem herdeiros. Até tentaram, mas como os filhos não vieram, desistiram. Passaram-se os anos e Isabel abandonou-o, recebendo as dádivas da morte.
Enfim, só o que lhe restava era seu mercadinho. Era o todo e único amor do português: habitando um cômodo sete por cinco, abarrotado de mercadorias e lembranças - mais do que poderia suportar.
Título por Thamires Castro.
O mercadinho... Inaugurara seu próprio negócio quando ainda era casado com Isabel - um casamento feliz e sem herdeiros. Até tentaram, mas como os filhos não vieram, desistiram. Passaram-se os anos e Isabel abandonou-o, recebendo as dádivas da morte.
Enfim, só o que lhe restava era seu mercadinho. Era o todo e único amor do português: habitando um cômodo sete por cinco, abarrotado de mercadorias e lembranças - mais do que poderia suportar.
Título por Thamires Castro.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
60 anos de indolência
Acendeu o cigarro e tragou. Tragou profundamente, como se fosse a última coisa que faria na Terra.
- Sabe...
Começou sua fala em tom cansado.
Nem mais os fantasmas de seu passado a reconheceriam. Outrora discursava avidamente para multidões sobre o universo, política e problemas sociais. Hoje, não passava de uma figurinha velha, possivelmente repetida, daquelas que ou vão para a recliclagem, ou ficam lá, esquecidas no fundo de alguma prateleira da banca de jornal.
- Não, é claro que você não sabe.
Sorriu com escárnio, observando rolar entre seus dedos a mesma débil chama que, pouco a pouco, aquecia-lhe a cova.
Era um jornalista meia-boca, aquele. Um jovem pedaço de nada, tão útil o quanto um patinho de borracha. Provavelmente fora mandado pela secção dos obituários para averiguar a (falsa) notícia de sua trágica morte por narcóticos - jornais locais adoram notícias de ex-celebridades mortas.
- Tentarei ser clara, senhor...?
- Sousa. Túlio Sousa.
- Hum.
Balbuciou, entortando os lábios rubros para uma nova tragada.
Quando recebera o telefonema para agendar a entrevista, perguntou do que se tratava. A secretária de voz irritante respondeu de forma vaga; "assuntos da atualidade". Certamente tinham espaço em branco para o jornal de segunda... Foi gentil e marcou o tal horário.
O homenzinho se intimidara pelo silêncio que inundou a sala. A mulher, pelo contrário: se via mergulhada na mudez, afogando-se em deleite.
- Você ia dizendo?
- Não me lembro.
- Ah...
Outro longo momento de quietude.
- Acho que íamos falar sobre a atualidade. Viu o caso do...?
- Você "acha"?
Interrompeu-o.
Bom era o tempo em que os jornalistas sabiam quais perguntas fazer.
Fez um gesto negativo com a mão livre.
- Deixa pra lá.
Fitou-o por cima dos óculos de grau.
- Nessa vida infame, aprendi quais são as três maiores tolices do mundo: massas, fanatismos e religiões.
Ele anotou. Ela obsevou. Ele parou; ouviu atento.
- Sim...?
- Mais nada. Pode ir embora.
- O quê?!
- Feche a porta quando sair.
- Sabe...
Começou sua fala em tom cansado.
Nem mais os fantasmas de seu passado a reconheceriam. Outrora discursava avidamente para multidões sobre o universo, política e problemas sociais. Hoje, não passava de uma figurinha velha, possivelmente repetida, daquelas que ou vão para a recliclagem, ou ficam lá, esquecidas no fundo de alguma prateleira da banca de jornal.
- Não, é claro que você não sabe.
Sorriu com escárnio, observando rolar entre seus dedos a mesma débil chama que, pouco a pouco, aquecia-lhe a cova.
Era um jornalista meia-boca, aquele. Um jovem pedaço de nada, tão útil o quanto um patinho de borracha. Provavelmente fora mandado pela secção dos obituários para averiguar a (falsa) notícia de sua trágica morte por narcóticos - jornais locais adoram notícias de ex-celebridades mortas.
- Tentarei ser clara, senhor...?
- Sousa. Túlio Sousa.
- Hum.
Balbuciou, entortando os lábios rubros para uma nova tragada.
Quando recebera o telefonema para agendar a entrevista, perguntou do que se tratava. A secretária de voz irritante respondeu de forma vaga; "assuntos da atualidade". Certamente tinham espaço em branco para o jornal de segunda... Foi gentil e marcou o tal horário.
O homenzinho se intimidara pelo silêncio que inundou a sala. A mulher, pelo contrário: se via mergulhada na mudez, afogando-se em deleite.
- Você ia dizendo?
- Não me lembro.
- Ah...
Outro longo momento de quietude.
- Acho que íamos falar sobre a atualidade. Viu o caso do...?
- Você "acha"?
Interrompeu-o.
Bom era o tempo em que os jornalistas sabiam quais perguntas fazer.
Fez um gesto negativo com a mão livre.
- Deixa pra lá.
Fitou-o por cima dos óculos de grau.
- Nessa vida infame, aprendi quais são as três maiores tolices do mundo: massas, fanatismos e religiões.
Ele anotou. Ela obsevou. Ele parou; ouviu atento.
- Sim...?
- Mais nada. Pode ir embora.
- O quê?!
- Feche a porta quando sair.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Pedaço de "Faz de Conta"
Faz de conta que aquele dia não acabou
Que o sol não se pôs, que a Lua não veio
Faz de conta que ainda estamos juntos
Aos sorrisos, carícias e uns poucos olhares
Distantes de qualquer arrependimento
Faz de conta que ainda te guardo no peito
E que na recíproca se faz verdade
Quando você fecha os olhos e pensa em mim
Faz de conta que tudo vai acontecer de novo
Do mesmo jeito que foi ontem
E que vou poder dormir tranquila
Sabendo que amanhã vai ser assim também.
Que o sol não se pôs, que a Lua não veio
Faz de conta que ainda estamos juntos
Aos sorrisos, carícias e uns poucos olhares
Distantes de qualquer arrependimento
Faz de conta que ainda te guardo no peito
E que na recíproca se faz verdade
Quando você fecha os olhos e pensa em mim
Faz de conta que tudo vai acontecer de novo
Do mesmo jeito que foi ontem
E que vou poder dormir tranquila
Sabendo que amanhã vai ser assim também.
A verdade dos momentos é tão passageira que às vezes nos questionamos se foi mesmo verdade.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Primeiro ato
Os tambores soaram chamando a atenção do público. Os olhos curiosos tomaram uma mesma direção; à espera do show. As luzes se apagaram e a ânsia inundou o ar. Os tambores cessaram; silêncio. O holofote iluminou o palco e as cortinas se abriram; todos aplaudiram a vida.
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