quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Alma circular

Sou esférica.
Mais esférica que a Terra
Talvez a mais esférica da Terra
Na imensidão da minha redondisse.
Sou meio muito um pouco
De tudo ou só de alguma coisa
E, às vezes, penso que nem sou.
Tento me enquadrar e triangular
Mas todo lugar parece apertado:
Sou uma forma estranha
Com meus "pis" e radianos
Ângulos e incógnitas
Senos e cossenos... Detestável!
Pobre de mim
Rolando, rolando, rolando
Sem chegar a lugar algum
Recusando formas fixas e tangentes.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Novembro

Doce Novembro
Inspira Dezembro
Com cheiro de verão
De fim de ano, de fim de tudo
Uma última chance:
Pra reviver (de novo)
Pra tentar (mais uma vez)
Pela última vez (talvez).

Poesia

A poesia está em tudo o que você pode tocar, sentir ou imaginar.
E, para o poeta, isso é matéria-bruta.
Entre um desajeito e outro é que acaba virando verso...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Acende o cigarro e deixa queimar
Queima até desbotar a alma
Até não ter mais alma pra queimar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Outros dois perdidos

(Ultimamente, tudo está perdido. Desconexo, sem sentido... Espero algum dia poder mudar e entender minha incapacidade perante os fatos - todos.)

Antônio Antônimo,
Avesso a algos, alguéns... Alguns.

Anti-capitalista, anti-esteticista, anti-televisivo, anti-adesivo: anti-eu.

Escrevo sem propósito. Como alguém que, sem querer, rabisca uma folha de papel enquanto fala ao telefone.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Perdidos e desconexos

O desfile começou e esqueci de me vestir.
Pelada, assisti: também esqueci de aplaudir.

O ser humano pode ser morfologicamente definido. Entretanto, devemos considerar a sintaxe.

Tudo é eterno até acabar.

O problema do Carpe Diem é que, depois do dia, vem a noite.

Meus versos são tingidos.

Eu não vivia até começar a pensar: é uma pena ter morrido assim que comecei.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O amor do português

Seu Manoel era um homenzinho meia-idade; enérgico e disposto. Todos os dias acordava às seis, esperava passar o caminhão das verduras e abria o mercadinho às oito.
O mercadinho... Inaugurara seu próprio negócio quando ainda era casado com Isabel - um casamento feliz e sem herdeiros. Até tentaram, mas como os filhos não vieram, desistiram. Passaram-se os anos e Isabel abandonou-o, recebendo as dádivas da morte.
Enfim, só o que lhe restava era seu mercadinho. Era o todo e único amor do português: habitando um cômodo sete por cinco, abarrotado de mercadorias e lembranças - mais do que poderia suportar.

Título por Thamires Castro.