terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Mulher escrita
A forma nua do corpo desenhado em fonte Arial tamanho 11 ou 12 (à decidir) se agitava em negrito e itálico. Abria as mãos, esticava os braços e levava a vida na ponta dos pés em falso plié de falsa bailarina. Sorria os dentes inferiores tortos, cabelos tão bagunçados o quanto sua personalidade: acreditava em tarô e sabia ler apenas as mãos de seus amantes; tinha a cabeça nas nuvens, mas morria de medo de avião; quando criança gostava da cor marrom e queria ser mergulhadora; chorava e ria quando bem entendia.
Era a alma humana aprisionada numa granada sem trava...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Origami
um curto-circuito e a lâmpada queimou
no escuro, as paredes vão até onde a mente consegue chegar
e numa viagem que não valeu a pena
é como se a última peça do quebra-cabeça tivesse se perdido
e o suspiro culminante do orgasmo nunca tivesse acontecido
e os olhos nunca tivessem sido abertos
e o mundo nunca tivesse sido visto
não passou de uma sala de espelhos:
a mesma realidade limitada nas suas diferentes formas
terça-feira, 13 de novembro de 2012
On the crazy road
Às vezes sinto como se eu não soubesse o que estou fazendo da minha vida
É como se eu estivesse seguindo aqueles mesmos velhos modelos que meus pais e os pais deles seguiram
É como se eu continuasse parada no mesmo lugar e nem sequer tentasse correr
É como se eu estivesse presa num zoológico e não quisesse ir para a selva simplesmente porque é mais fácil continuar aqui
É mais fácil acreditar que não existe pote de ouro no fim do arco-íris
É mais fácil não ter do que correr atrás, ter os mesmos sonhos que todo mundo
É mais fácil aceitar o que as pessoas dizem ao invés de dizer algo completamente diferente
É mais fácil seguir o fluxo, tomar os mesmos caminhos, os mesmos atalhos
Constantemente ignoro meus instintos, reprimo meus desejos, escuto meus medos, e tudo porque eu não quero que as coisas deem errado... Mas não valeria a pena?
Eu não sei qual é a linha de chegada, qual é o ponto final dessa viagem
Mas eu sei que eu não deveria ter medo de nunca voltar
É como se eu estivesse seguindo aqueles mesmos velhos modelos que meus pais e os pais deles seguiram
É como se eu continuasse parada no mesmo lugar e nem sequer tentasse correr
É como se eu estivesse presa num zoológico e não quisesse ir para a selva simplesmente porque é mais fácil continuar aqui
É mais fácil acreditar que não existe pote de ouro no fim do arco-íris
É mais fácil não ter do que correr atrás, ter os mesmos sonhos que todo mundo
É mais fácil aceitar o que as pessoas dizem ao invés de dizer algo completamente diferente
É mais fácil seguir o fluxo, tomar os mesmos caminhos, os mesmos atalhos
Constantemente ignoro meus instintos, reprimo meus desejos, escuto meus medos, e tudo porque eu não quero que as coisas deem errado... Mas não valeria a pena?
Eu não sei qual é a linha de chegada, qual é o ponto final dessa viagem
Mas eu sei que eu não deveria ter medo de nunca voltar
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Ironia
Era um relógio de parede
Daqueles metálicos
Com algarismos romanos e lindos ponteiros
Marcava as horas como nenhum outro!
Mas veja só, que ironia
De tanto marcar o tempo alheio
O relógio não marcava o tempo dele
terça-feira, 28 de agosto de 2012
domingo, 26 de agosto de 2012
Vazio
Me é tão familiar
A insônia do vaga-lume
Vagando noite adentro
Piscando a bunda
Anunciando seu desespero
Procurando luz que lhe ilumine
... Tudo o que vejo são balões murchos de uma festa que acabou horas antes da minha chegada!
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Aviões de Papel
Muitos foram os tipos de papel
Dos mais coloridos
Aos mais desenhados
Até os mais brancos e alinhados
A mim destinados
Alguns quis guardar
Outros, descartei
Pelos quais, de fato, me interessei
Dobrei, dobrei, dobrei
E fiz aviões de papel
Quando atirei ao ar meus aviões
Nenhum deles alçou vôo
Há quem diga
Que foi problema na engenharia
Há quem jure que o problema era o papel
E há quem acredite
Que a brisa não estava a meu favor
Sinceramente
Não sei qual é o problema com meus aviões de papel
Talvez eu não os esteja lançando corretamente...
Não importa o que eu faça
Eles continuam despencando do ar
Ah!... como eu queria um avião de papel que voasse
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