quarta-feira, 18 de maio de 2016

MEDICINAL

Chá de mate pra coletivizar
Chá de carqueja pra curar o mal-estar
Chá de hibisco pra desintoxicar
Chá de capim-cidreira pra repousar

Ah! maracujá
Se do fruto provo a acidez

No verdejar das folhas encontro a serenidade

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A TERRA DOS DIAMANTES PERDIDOS

Analogia aos sonhos de menina
São diamantes coloridos:
Raros, frequentemente perdidos.
Foi menina por pouco tempo
Aos 17 pariu outra menina
E desse modo, virou mulher.
Agora, aos 23, trabalha na cozinha do garimpo
Tem outro filho, dessa vez menino
Ainda é baiana, ainda é preta, ainda é pobre.
Experiente, ofereceu o seguinte conselho:

Mulher tem que casar e ter filho cedo, que é pra aprender logo como é vida.

ANTÔNIOS

Nossos Antônios
Nem sempre são antônimos
Podem ser homens, mulheres
Podem até nem ter gênero
(Todavia, meu Antônio é vulgar e gosta de sexo)

Nossos Antônios
São peixes e fumam:
Cientificamente nem sempre deslizam
(Ah! como sofrem se não deslizam...)

Nossos Antônios
São acasos
Vieram ao mundo sós e pelados
Quem diria! No alfabeto da folha de papel em branco
Por acidente se encontraram

domingo, 8 de maio de 2016

MISS SIMONE

Tristeza que me come
De dentro pra fora
Como cachorro-quente
Às 4h30 da madrugada

(Até sobrar a unha do meu mindinho)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Professia

dias cinzas
virarão cinzas
e teu nome
não profanará minha boca

sábado, 30 de abril de 2016

Janela

Oitavo andar. Esquina com a Avenida do Contorno, rua movimentada da capital. Zona Sul, onde ninguém se importa com quem atravessa a rua, com quem está na rua, com quem VIVE na rua. Importante é a marca da roupa que você usa e a maquiagem que você coloca na cara de manhã pra cobrir toda infelicidade e insegurança. Não sei bem como começou, tão menos como acabei ali, mas lá estava eu: encarando a janela do oitavo andar. A semana mal havia começado e eu não conseguia tirar da cabeça a tal janela. Lembro dos livros espalhados na mesa e da obrigação empilhada na minha cabeça... Acima de tudo, lembro da solidão. Lembro de abrir a janela e sentir o vento soprar contra o meu rosto. Lembro de olhar pra baixo e imaginar... Só entende quem já olhou pra janela e encontrou a solução para todos os seus problemas. Ahh minha janelinha no oitavo andar. Outro dia passei por lá. Recordei meus maus bocados, lembrei do fim que minha história ainda não teve.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Profissional das unhas

O pai sempre foi criativo
Espancava com mangueira
Cabide e correia

Quando virou moça
Saiu de casa
Casou, e casou de novo
Criou filho sem pai
Seguindo a velha lei da maternidade:
Quem pôs no mundo foi tu!

Ontem chegou ao meu conhecimento
Foi morar na vila:
Favela não!
Tem até energia elétrica
E água encanada



- Esse poema é a reprodução de uma conversa que ouvi em um salão entre uma manicure, sua colega de trabalho e uma cliente.