quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Então!

Sou frustração.
Um projeto inacabado
Perdido nesse mundinho fracassado

Sou contradição.
A voz da razão equivocada
No meio da multidão de frente pro nada

Sou introversão.
Uma mentira mal-contada
Encerrada entre risadas, bem como uma piada

Eu sou nada.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sejamos sinceros...

A poesia contorna a sujeira da verdade e torna tudo mais agradável.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O elixir da depravação

Perante as luzes foscas e coloridas que predominam durante o fim de noite, sejam elas vindas da chama de um isqueiro ou de um poste castigado pelo tempo, então refletidas na água turva de cor repugnante acumulada entre a calçada e o asfalto esburacado da rua, já sem forças para escoar para o bueiro mais próximo, tropeçam os bêbados que com frequência não vêem algum relevo em seu trajeto e esganiçam as mulheres já transfiguradas pela idade e profissão.
Alguns carros bonitos passam depressa, como uma breve ilustração ao cenário. Eles não querem ser parte daquele ambiente deteriorado, portanto... fogem. As "crianças" mais destemidas também costumam andar por ali, como uma aventura de fim de noite. Vão às gargalhadas, com copos vazios nas mãos e cigarros misteriosos entre os dedos finos. Simulam ser parte da sujeira local, mais uns poucos habitantes, mas bem sei que se amedrontam a cada sirene policial que toca ao fundo, soando como o sax em seu solo num jazz conhecido. Também não tardam a sumir de vista.
Alguns cães vadios se recostam nas portas de aço do comércio adormecido, pois já estão cansados de perseguir gatos, motos e até mesmo pessoas que enfim nada lhes têm a oferecer. Os gatos, agora em tranquilidade, perambulam pelos becos mais próximos e reviram todo o tipo de lixo a fim de encontrar algo digerível. Também há um grupo afastado que mia horas a fio na presença de uma fêmea no cio. Não são agradáveis, mas os transeuntes já se acostumaram àquele som terrivelmente irritante.
Alguns homens mal encarados e de aparência suspeita dão voltas no quarteirão com as mãos enterradas nos bolsos das jaquetas. Não é preciso especificar o que fazem ali... Mesmo que as respostas sejam diversas, são previsíveis.
Finalmente, o sol surge preguiçoso no horizonte. Aquele lugar não é o seu favorito, ele é generosamente estúpido pra gostar de depravação.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Presos na prosa

Os ponteiros do relógio rodam e rodam, mas parecem não sair do lugar. Talvez o relógio nada mais seja que uma prisão de vidro, invisível. Assim como o tempo. Esperto o cara que inventou esse tal relógio.

Você fala. Eu rebato. O que estávamos jogando mesmo? Ah, é verdade. Jogávamos conversa fora. Horas a fio gastas sem intuito - pensemos assim.
Não tarda, já brigamos. Por um momento, te repugno. Não quero nem ouvir seu nome.
Bem, também não tarda e já não quero viver sem ti.
O que fazíamos? Me esqueci, mas mudando de assunto, vamos falar do tempo. Falar do tempo... Que fim. Não para um metereologista. Ei, você é um metereologista? Supus que não.
Agora eu te quero. É meu maior desejo. Mas vamos brigar daqui a pouco, não vamos resistir. Afinal de contas, nós ainda estamos presos na rotina prosa, não é?

O cara que inventou a prosa já não era tão esperto assim... Ele só sabia observar.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Placebo

Para mim você é placebo.
E eu sou seu brinquedinho experimental.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A maré

Eles. Sopram mentiras aos seus ouvidos, te driblam, te contornam. Te controlam...

Digamos que as pessoas se liguem e formem apenas um ser. Absoluto, verdadeiro, absurdo. Talvez seja "Deus", para aqueles que acreditam em tais religiosidades. Para os que não acreditam, chamemos de "sociedade".
Ditam os padrões e o que deve ou não ser feito. Confundem o significado da "liberdade", assimilando à algo sujo, uma bagunça. Mas ei, não se esqueça que são um só. Para se manterem unidos, eles não podem acreditar na liberdade. São hipócritas. Pregam em discursos mal feitos ideais que jamais serão cumpridos. Eles sabem disso, mas a ilusão é sempre mais agradável aos olhos.
Unidos, é verdade. Até quando negam tal fato, bem sei eu do outro lado em meu mais profano realismo que não passa de uma desculpa para se unirem mais. Podem ter suas desavenças, mas sempre concordam em um ponto: devem ser perfeitamente normais. O que é normal? Ora essa, eles já são normais. Normal é aquele que segue os padrões cautelosamente aceitos pelo ser supremo do qual aqui tratamos.
Vários pensadores - os quais não critico, até admiro, meu problema é com o grande equívoco aqui tratado - pregaram sobre a paz. Ao meu ver, a paz deveria ser uma aceitação em massa que solucionaria os conflitos que tanto debatemos, entretanto ela é tratada como um meio de inclusão de indivíduos nessa atmosfera surreal.
A bem da verdade, é tudo uma bela porcaria. Ninguém é perfeito, ninguém é normal e não passamos de uma mentira bem contada. Afinal, se fosse o contrário, ninguém estaria disposto a seguir os parâmetros da normalidade. Manipuladores, te guiam como uma maré.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A arte não se força.

Só isso. A arte não se força.