terça-feira, 5 de junho de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Madrugada
Pega o cigarro entre os dedos e vê como ele queima:
No papel é ateado fogo e do branco faz-se o cinza
A chama presa ao tabaco retrai-se de encontro aos dedos do fumante
E o tabaco em chamas vira fumaça, a fumaça que aquece teus pulmões...
Observa a fumaça subir e se fundir à neblina da madrugada
Olha como as almas dos poetas mortos vagam entre as ruínas do pensamento
O toque do futuro apodrece as flores: já não é primavera
Molha teus lábios deste vinho seco de que te serves
E sorri! Sorri pois já não há lágrima que te salves e nem grito que te escutem
Encara novamente teu último cigarro e sente teus dedos arderem em contato com a chama
Que te resta além de um cigarro, um vinho barato e teus últimos suspiros?
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Aos poucos o sol escala a montanha de cigarros e é refletido pelas cinzas espalhadas no quarto: epifania do fim do mundo. Os lençóis estão embaixo do chuveiro, o colchão está virado do avesso, as toalhas estão sujas e espalhadas pelo chão. E o ventilador de teto gira, gira, gira... Gira até entrar num estado de confusão semelhante ao do quarto. Na escrivaninha, alguns livros abertos, outros fechados, outros sem capa, outros sem páginas... E um cinzeiro que nunca foi usado. O corpo nu carrega apenas um par de meias coloridas. A mão direita carrega uma caneta azul. O azul da harmonia que lhe falta... O azul que tenta descrever num pedaço de parede o caos que perturba sua alma. Azul...
Alguém bate na porta e, de súbito, o universo retoma seu lugar.
Old same fears
Hipocondríaca
Claustrofóbica
Bipolar
Depressiva
Masoquista
Suicida
...
E ainda tem medo de barata!
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Abraço
Quando você me abraça
Me sinto tão bem quanto o vinho na taça
E tudo se encaixa perfeitamente
E tudo fica bem quando estamos dois
Na cópula dos braços que nos tornam um...
O seu abraço é música
É chuva de verão
É parada cardíaca!
Eu morro no seu abraço
E morrerei novamente em todos os próximos
Porque seu perfume é veneno
Seus lábios são navalhas
E seu abraço... Ah! Seu abraço é meu ceifeiro
Me sinto tão bem quanto o vinho na taça
E tudo se encaixa perfeitamente
E tudo fica bem quando estamos dois
Na cópula dos braços que nos tornam um...
O seu abraço é música
É chuva de verão
É parada cardíaca!
Eu morro no seu abraço
E morrerei novamente em todos os próximos
Porque seu perfume é veneno
Seus lábios são navalhas
E seu abraço... Ah! Seu abraço é meu ceifeiro
domingo, 4 de setembro de 2011
Dizem que o tempo tudo cura. Mentira. O tempo cicatriza as feridas e, vez ou outra, quando a ferida incomoda, sem querer puxamos a casquinha... E aí tudo se repete. Dor, sangue, inflamação.
Pode não ser justo, mas eu acredito que certas feridas não foram feitas para serem curadas, e as cicatrizes estão lá para lembrar-nos de que tudo aconteceu um dia: as coisas boas e as ruins.
Por outro lado, há feridas que foram feitas para serem curadas. Nesses casos, o tempo é um coadjuvante. O curativo? Não sei. Pode ser um acontecimento, uma música, um dia ensolarado ou até uma pessoa. O fato é que, eventualmente, tudo ficará bem. Nós temos que acreditar nisso, porque de coração fechado ninguém sara...
Pode não ser justo, mas eu acredito que certas feridas não foram feitas para serem curadas, e as cicatrizes estão lá para lembrar-nos de que tudo aconteceu um dia: as coisas boas e as ruins.
Por outro lado, há feridas que foram feitas para serem curadas. Nesses casos, o tempo é um coadjuvante. O curativo? Não sei. Pode ser um acontecimento, uma música, um dia ensolarado ou até uma pessoa. O fato é que, eventualmente, tudo ficará bem. Nós temos que acreditar nisso, porque de coração fechado ninguém sara...
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