terça-feira, 24 de julho de 2012

Ela era como neblina densa: você podia ver, você podia sentir. Não importa aonde estivesse, só haveria neblina ao seu redor. E cada baforada de ar se confundiria com a neblina.
É, ela era como neblina densa...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Nudez

E se você tirasse a roupa
E jogasse fora toda a vaidade
O que sobraria?

Acho linda a nudez
O ato de despir-se

A nudez das palavras
Dos olhos
Do corpo
Da alma
Todos nus, na mais sincera sintonia

A nudez que liberta do supérfluo
E deixa apenas a carne
A carne que não deve mentir
Deve apenas ser aquilo que é: carne

E nós
Viemos todos ao mundo da mesma forma: nus
E na medida em que crescemos
Nos vestimos de tantos panos diferentes
Escondendo o que temos em comum
(Tão bonito o que temos em comum)
A carne na pura nudez

Difícil despir-se
E ser verdade
No entanto, que ato lindo
Deixar as peças de roupa cairem!

As roupas são apenas uma distração:
Tiram da alma a atenção dos olhos

terça-feira, 5 de junho de 2012

2012: Há mais poesia em uma garrafa de vinho vazia do que nas relações humanas.

domingo, 27 de maio de 2012

Madrugada


Pega o cigarro entre os dedos e vê como ele queima:
No papel é ateado fogo e do branco faz-se o cinza
A chama presa ao tabaco retrai-se de encontro aos dedos do fumante
E o tabaco em chamas vira fumaça, a fumaça que aquece teus pulmões...
Observa a fumaça subir e se fundir à neblina da madrugada
Olha como as almas dos poetas mortos vagam entre as ruínas do pensamento
O toque do futuro apodrece as flores: já não é primavera
Molha teus lábios deste vinho seco de que te serves
E sorri! Sorri pois já não há lágrima que te salves e nem grito que te escutem
Encara novamente teu último cigarro e sente teus dedos arderem em contato com a chama
Que te resta além de um cigarro, um vinho barato e teus últimos suspiros?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Aos poucos o sol escala a montanha de cigarros e é refletido pelas cinzas espalhadas no quarto: epifania do fim do mundo. Os lençóis estão embaixo do chuveiro, o colchão está virado do avesso, as toalhas estão sujas e espalhadas pelo chão. E o ventilador de teto gira, gira, gira... Gira até entrar num estado de confusão semelhante ao do quarto. Na escrivaninha, alguns livros abertos, outros fechados, outros sem capa, outros sem páginas... E um cinzeiro que nunca foi usado. O corpo nu carrega apenas um par de meias coloridas. A mão direita carrega uma caneta azul. O azul da harmonia que lhe falta... O azul que tenta descrever num pedaço de parede o caos que perturba sua alma. Azul...
Alguém bate na porta e, de súbito, o universo retoma seu lugar.
Quer viver, mas não quer pagar o preço
"Bom é quando faz mal"
Primeiro desgosta: depois conhece
Não fala merda, Carol!
Arregala o olho e mostra o dedo
Mal-criada!
Bem-criada... Só um pouco desbocada
Sorriso da cara-de-pato
Guarda rancor a sete chaves
E dizem que não vale nada...
Quer saber? Nem um centavo!

Old same fears

Hipocondríaca
Claustrofóbica
Bipolar
Depressiva
Masoquista
Suicida
...
E ainda tem medo de barata!