quinta-feira, 24 de março de 2016

Neruda

"Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque este sea el ultimo dolor que ella me causa,
y estos sean los ultimos versos que yo le escribo."

domingo, 20 de março de 2016

Babel

O cotidiano mata
Aos poucos, a criatividade
A esperança escorre
Preta, fétida na sarjeta

O empresário suja a rua
A rua suja o moleque
Cujos pés desnudos
Afagam o asfalto duro

A luz dos faróis
Copia a luz do dia
O dia já é mais noite que dia...
As buzinas abafam
Os gritos da periferia
O perfume, o espumante
Se confundem
Com odores da rua

É meu amigo,
Te norteia!
Com a TV ligada
E essa barulheira
Sai são quem o mundo vagueia

sábado, 17 de janeiro de 2015

É um universo barato...

É um universo barato...

Cair no abismo do mundo quando não se sabe o que se procura
E tatear o chao frio imersa no breu de uma noite sem lua e sem estrelas
O frio na barriga de quem não faz a menor ideia de onde se encontra
E continuar procurando sem, jamais, se encontrar por inteira
Como em um quebra-cabeças, a encontrar, aos poucos, peças que não se encaixam
Formando uma figura DESFIGURADA!

Entao mergulha no pranto, no luto: desconsolada
Alguém que caiu no mundo para encontrar paz
E descobriu dentro de si uma eterna inquietação

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Mulher escrita


A forma nua do corpo desenhado em fonte Arial tamanho 11 ou 12 (à decidir) se agitava em negrito e itálico. Abria as mãos, esticava os braços e levava a vida na ponta dos pés em falso plié de falsa bailarina. Sorria os dentes inferiores tortos, cabelos tão bagunçados o quanto sua personalidade: acreditava em tarô e sabia ler apenas as mãos de seus amantes; tinha a cabeça nas nuvens, mas morria de medo de avião; quando criança gostava da cor marrom e queria ser mergulhadora; chorava e ria quando bem entendia.
Era a alma humana aprisionada numa granada sem trava...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Origami


um curto-circuito e a lâmpada queimou
no escuro, as paredes vão até onde a mente consegue chegar
e numa viagem que não valeu a pena
é como se a última peça do quebra-cabeça tivesse se perdido
e o suspiro culminante do orgasmo nunca tivesse acontecido
e os olhos nunca tivessem sido abertos
e o mundo nunca tivesse sido visto
não passou de uma sala de espelhos:
a mesma realidade limitada nas suas diferentes formas

terça-feira, 13 de novembro de 2012

On the crazy road

Às vezes sinto como se eu não soubesse o que estou fazendo da minha vida
É como se eu estivesse seguindo aqueles mesmos velhos modelos que meus pais e os pais deles seguiram
É como se eu continuasse parada no mesmo lugar e nem sequer tentasse correr
É como se eu estivesse presa num zoológico e não quisesse ir para a selva simplesmente porque é mais fácil continuar aqui
É mais fácil acreditar que não existe pote de ouro no fim do arco-íris
É mais fácil não ter do que correr atrás, ter os mesmos sonhos que todo mundo
É mais fácil aceitar o que as pessoas dizem ao invés de dizer algo completamente diferente
É mais fácil seguir o fluxo, tomar os mesmos caminhos, os mesmos atalhos

Constantemente ignoro meus instintos, reprimo meus desejos, escuto meus medos, e tudo porque eu não quero que as coisas deem errado... Mas não valeria a pena?
Eu não sei qual é a linha de chegada, qual é o ponto final dessa viagem
Mas eu sei que eu não deveria ter medo de nunca voltar

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ironia


Era um relógio de parede
Daqueles metálicos
Com algarismos romanos e lindos ponteiros
Marcava as horas como nenhum outro!
Mas veja só, que ironia
De tanto marcar o tempo alheio
O relógio não marcava o tempo dele